quinta-feira, 10 de março de 2011

Next time...

Da próxima vez quero:
- ligas, com cinto.
- conduzir eu.
- embrenhar-me em ti.
- que tu é que me sintas o pescoço.
- que tu é que me puxes para ti.
- que a vontade seja maior que os medos.
- sentir-te o corpo dessa mente que me magnetiza.
- sentires-me este todo que sou.
- saber como se materializa o teu desejo.
- que agarrares no meu.
- provar-te, entrar em ti, sentir-te.
- Que me sintas, inteiro.

Não é (apenas) teu corpo que quero sentir;
Quero sentir-te de ponta a ponta. Corpo e mente.
Como se exprime a mente desse corpo;
Como se revela o corpo nessa mente;
Não quero ser uma dose mortal;
Quero ser A dose.
A que me inspiras e mereces.
A que descobriste.
Ousas ter o que descobriste em mim?
Aguentas?

domingo, 6 de março de 2011

Do Norte, inesperadamente... (Conclusão)



Foi abrir.
Ela tinha-se mudado.
Cabelo apanhado, rabo de cavalo.
Vestia uma coisa meio quimono, meio túnica.
Seda, ou pelo menos, acetinada. Branco, com motivos definitivamente japoneses em vermelho.
Quase até aos pés.
Aberto dos lados, a partir de meio da coxa.
Chinelo branco com salto, pompom de plumas por cima do pé.
Entrou, dirigiu-se ao fundo do quarto, perto da janela, onde a mesa e os dois maples de veludo pareciam esperar.
Sentou-se num deles, descalçou-se e dobrou ambas as pernas e colocou os pés junto ao rabo.
Ele fechou a porta atrás dela e seguiu-a. Parou no mini-bar e abriu-o. Fez o relato do inventário.
Ela escolheu scotch. Sem gelo. Ele imitou, e tirou duas daquelas garrafinhas, pegou nos copos e colocou tudo em cima da mesa.
Abriu as bebidas e foi sentar-se no maple que esperava por ele, quase em frente dela.
Fizeram um brinde. E começaram a conversar.
Falaram de bastantes coisas, desde as banalidades relativas àquela apresentação mundial, à vida profissional dele em Portugal, dela na Suécia, ao clima e suas diferenças entre a terra dela e aquele sitio à beira do mediterrâneo. De clientes, de marketing, das implicações e importância do design na segmentação da clientela.
E voltaram a conversar sobre o stress que ela tinha sentido nas ultimas três semanas, a concentração constante no trabalho, no discurso e nos pormenores. Do que Barcelona era uma cidade maravilhosa, que ela ainda não tinha tido, nem teria, oportunidade de visitar convenientemente.
Das saudades que sentia de casa, do marido e do filho de 5 anos.
- Lá vinha a conversa do marido de novo.  Pronto. 
Ele convenceu-se que os sinais que tinha interpretado afinal eram demasiado à frente. Afinal tratava-se apenas de tomar um copo, e ter uma conversa calma e descontraída, entre duas pessoas simpáticas, educadas, e cansadas, de formas diferentes, daquele dia. 
Um “relax ending” para um ultimo dia de uma estadia de outros anteriores na cidade dos devaneios de Gaudi.
Apenas isso. 
E por estranho que possa parecer, esse “apenas” soava-lhe bem. Apenas um copo, com uma pessoa encantadora que tinha feito o favor de ver nele alguém com quem se podia acabar tranquilamente a noite em conversa amena. “Coisas de nórdicos”, pensou, que não vêem nada de mais nem de lúbrico numa bebida num quarto de hotel de alguém do sexo oposto.  Sentiu-se lisonjeado e riu-se por dentro do resto do grupo que provavelmente ainda estaria no lobbie a discutir em que estabelecimento de meninas iriam entrar em rebanho.
Desta vez não se intimidou com o assunto “marido”. 
Pegou ele na conversa, quis saber há quanto tempo era casada, e mais uma série de coisas do quotidiano. Ela ia respondendo. Com descontração.  Que se davam muito bem, que se tinham conhecido na universidade, que se tinham mudado juntos para a cidade onde viviam agora, que não escondiam nada um do outro. Que tinha falado com ele ao telefone antes de me ligar. Que estava tensa e estava a pensar ir tomar uma bebida com um português simpático que tinha acabado de conhecer, para descontrair. Que ele a encorajou a isso. Com descontração se desenrolou a conversa, por horas.
Ele tinha entretanto tirado também os sapatos, e estava sentado quase como ela. Ambos encostados para trás, cada um no seu maple.
Ela esboçou um gesto, braços cruzados, ambas as mãos a massajarem os braços e a subirem para os ombros.
“Faço-te uma massagem, queres?”, atirou ele de impulso.
“Fazes? – Oh, isso é mesmo o que preciso!”
Foi buscar um toalhão de banho, estendeu-o em cima da alcatifa felpuda e fê-la deitar de barriga para baixo.
Colocou-lhe os braços estendidos ao longo do corpo, ajoelhou-se ao lado dela e começou.
Ombros, braços, ligação ao pescoço, pescoço, coluna, músculos lombares. Palmas das mãos, dedos a deslizarem, a colocarem pressão sobre pontos que sentia tensos.
Ela soltava de vez em quando uns “hums” e respirava pausadamente, mas profundamente. “Feels so good”, balbuciava.
E ele ia massajando, por cima da túnica sedosa. Era apertada atrás das costas com duas pontas de tecido unidas por um laço. A dada altura o laço estorvava e ele puxou-o e desfê-lo, afastando cada uma das pontas para o lado do corpo dela.
Fez uma ponte, e passou para os pés.
Ajoelhou-se agora de frente para ambos. Massajou cada um deles com cuidados, deu atenção a cada dedo, apertou-os, esticou-os.
Passou para os gémeos, encostados um ao outro. Massajou-os até os sentir completamente distendidos e sem nódulos.
À medida que ia subindo as mãos pelas pernas dela, ia-as enfiando por debaixo do tecido, quase pudicamente. Ali, aquela peça de vestuário estava mais solta, sendo aberta de ambos os lados.
Moveu-se, ainda de joelhos, e colocou cada um deles ao lado das suas pernas, e deixou-se sentar sem deixar cair todo o seu peso, em cima dos calcanhares dela.
Zona atrás dos joelhos, ao lado dos joelhos.
Coxas. Gluteos. As mãos iam subindo, e ele também. Estava nesta altura sentado em cima dos gémeos dela.
Demorou-se nos glúteos. As mãos subiam e desciam ao longo dos músculos. Fazia pressão de vez em quando apertando-os entre os polegares e os indicadores, simetricamente em cada perna. Ela gemia, ou respirava profundamente, com os tais “hummms” à mistura. E soltava uns “feels so good!”.
A túnica foi subindo e por esta altura tapava-lhe apenas o as nádegas e metade das coxas.
Abriu mais as mãos e meteu os polegares entre as pernas dela, massajando a parte interior dos músculos, imediatamente acima dos joelhos, e até meio da coxa, onde as pernas encostadas dela impediam que fosse mais acima. Depois descia de novo.
Numa das vezes em que ele fazia de novo o movimento ascendente com os polegares entre as pernas dela, começando acima dos joelhos, ela afastou as pernas muito ligeiramente. O suficiente para que os polegares dele não ficassem presos entre os músculos que se encostavam um ao outro. E ele não parou a meio das coxas, como das vezes anteriores, continuou até à base das nádegas. Mãos abertas, polegares entre as pernas dela, quase até às virilhas. Repetiu várias vezes, e de cada uma das vezes, um milímetro até mais acima. Sentia calor.
Da vez seguinte… foi mais acima e sentiu humidade quente! No interior das coxas dela, junto às virilhas. Parou ambos os polegares por um segundo. E depois levou os polegares mais além. Sentiu o sexo dela, quando pensava que iria sentir as cuecas, que afinal não tinha.
Sentiu-lhe os lábios, completamente encharcada. Tenteou-os, com ambos os dedos, apertou-a entre eles. E de uma só vez, deixou-os deslizar para dentro dela. As pontas apenas, que a posição não ajudava a mais. Tirou-os e substitui-os pelo  indicador e médio da mão direita. Ela abriu mais as pernas e soltou um “yes, do it, do it”. E veio-se. 
Imediata e inesperadamente. Com um “ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh” de boca esmagada contra a toalha branca, e um apertar de pernas tão forte que ele pensou que lhe partiria o pulso entre elas.
Ele estava doido de tesão, as calças estavam molhadas na zona da cabeça do sexo, sentia-o, e não sabia muito bem o que fazer com isso. Ela resolveu-lhe o dilema. Descontraiu as pernas novamente, abriu-as, levantou ligeiramente o rabo e disse “i want to feel you inside me, now. Please”. Ele desapertou as calças, desprendeu as cuecas do seu falo duro e crescido que as prendia, saiu de cima dela apenas o suficiente para se desenvencilhar daquelas peças de roupa, voltou para cima dela, e antes que ela tivesse tempo de lhe agarrar o sexo com a mão que tinha entretanto metido debaixo dela entre as pernas, escorregou literalmente para dentro dela. Ela soltou mais um “yesssssssssssssss” e ele acomodou-se, ao principio imóvel, dentro dela. Ela levantou mais o rabo e começou a mexe-lo, com o sexo dele dentro dela. Ele não aguentou mais, pegou-lhe com as mãos pela cintura, levantou-a até ela estar de cócoras e começou a fodê-la com força, ao que ela respondeu com um ”yes, fuck me, yes!”.
Sem sair de dentro dela, levantou-se e levantou-a, pousou-a em cima da cama, na beira, pernas penduradas e continuou a entrar nela. Depois empurrou-os para o meio da cama, virou-se de barriga para cima, sempre dentro dela, e continuou a penetrá-la assim, com o peito encostado ás costas dela, a agarrar-lhe as pernas pelas coxas.
Fodia-a, mordia-lhe os ombros. Ela endireitou-se, livrou-se por fim da túnica, que por esta altura embrulhava apenas o busto, e recostou-se novamente para trás. Ele largou-lhe as pernas, encheu as mãos com os seios dela, sentiu-lhe os mamilos duros entre os dedos, e desceu uma mão para lhe procurar o clítoris, para encontrar lá a mão dela.
Olhou para o lado, para o roupeiro com portas de espelho, e viu-os, aos dois, ela por cima dele, aquele corpo pequeno e perfeito, mamilos virados para o tecto, de boca semi-cerrada, com a mão entre as pernas abertas, debaixo da mão dele. Sentiu-a a perder de novo as estribeiras, prestes a vir-se. Não aguentou mais, aumentou o ritmo e vieram-se os dois, como animais.

Recuperam o fôlego lentamente.
Ela deixou-se deslizar para o lado dele, virou-se de barriga para baixo, pôs a cabeça sobre o seu ombro, uma perna sobre as suas, a mão no peito dele.
E disse “thank you, it was so good.” E beijou-o perto da orelha.
Estiveram assim uma boa meia hora, sossegados e apenas a afagarem-se um ao outro. Peito, ombros, ventres, e o pénis dele novamente erecto, e o sexo dela completamente depilado e encharcado.
Tanto afagaram que… dentro de pouco tempo estavam outra vez a fazê-lo, desta vez mais devagar, com menos urgência e saboreando os dois cada pequeno momento.
E fizeram-no até que o tempo se acabou mais depressa que a vontade de continuar. Eram seis da manhã. Ele tinha de estar daí a meia hora no átrio do hotel, de malas aviadas para seguir com o resto do grupo para o aeroporto.
Despediram-se, ela saiu, depois de soltar um “o meu marido vai ficar aliviado quando lhe ligar a contar que consegui aliviar por completo o stress. Obrigado”.
Até hoje, o rapaz não sabe categóricamente o significado exacto daquelas palavras. Ou não quis saber. Sentiu-se usado? - Não, sentiu-se deliciosamente útil, afortunado e poderoso.
Passados 12 anos, guarda dessa noite de iniciação, sorrisos, os dele e os dela.
Descobriu nessa noite, que possuía algo de especial.
Graças a uma nórdica, de olhos azuis turquesa, e de corpo pouco tipicamente pequeno e esguio, de uma forma deliciosamente intensa e … inesperada.

(Ah, parece que os outros portugueses também não dormiram nessa noite, mas, ao contrário dele, passaram a viagem com cara de mal dispostos.)

quarta-feira, 2 de março de 2011

Do Norte, inesperadamente... (1ª parte)

 
Setembro, fim de século, Barcelona.
Apresentação mundial daquele modelo, daquela marca sueca, aos concessionários de todo o mundo.
Pavilhão olímpico de Montjuic. Noite.
O programa oficial acabou com o fim daquele jantar de gala. Os altifalantes anunciam em todas as línguas presentes que os autocarros da organização em direcção aos hotéis na cidade vão começar a estar disponíveis.
Os portugueses do grupo encaminham-se para a saída.
“Vamos embora e aproveitar e gozar a noite de Barcelona”, dizem eles. Embora sem experiência por aí além, ao rapaz algo lhe diz que ir num grupo de portugueses meio broncos, ligados ao mundo do comércio automóvel, correr capelinhas em Barcelona, não irá bem de encontro ao que ele acha que será gozar a noite naquela magnifica cidade.
Deixa-se ficar.
Observa o ambiente em silencio, discretamente. Vê caras bonitas, outras nem tanto. Muitas lantejoulas ainda por ali brilham.
Passa o tempo que passa e os altifalantes anunciam a ultima viagem dos autocarros.
É agora.
Dirige-se ao autocarro marcado com o nome do hotel onde estava hospedado. É o ultimo a entrar.
Senta-se de frente para uma mulher.
Vestido de noite preto, lantejoulas, ombros nus, salto alto, agulha.
E olha para ela e sorri-lhe. Ela retribui o sorriso.
Nessa altura ele vê olhos azuis, cabelo preto, covinhas no rosto e sorriso fácil.
Pergunta-lhe de onde vem, e ela responde que da Suécia. Gabinete de design da marca.
Pergunta-lhe se gostou, e ela responde que está cansada. Afinal está lá há três semanas, os concessionários de todo o mundo tinham sido divididos em grupos, e o primeiro grupo, asiáticos e australianos tinha chegado duas semanas antes. Ela tinha ido uma semana antes disso, para os preparativos.
Três semanas fora, cansaço acumulado e saudades de casa, do marido e do filho. Muitas saudades.
O rapaz vê nisso um sinal de aviso.
A conversa continua fluida no entanto, fala ele, diz de onde vem e pouco mais.
E de um repente solta um “do you want to have a drink at the hotel bar?”, ao que ela responde “why not?”.
Uma chuva miudinha lambe agora os vidros do autocarro.
Chegada à frente do hotel, o autocarro pára, e saem. Gesto quase instintivo, ele tira o casaco do fato e põe-no por cima dos ombros nus dela.
Entram no lobbie, e azar dos azares, o grupo dos tugas está todo lá em algazarra, certamente a discutir onde irão gozar a noite.
Calam-se, quando vêem entrar aqueles dois, ela com o casaco dele sobre os ombros. Um silencio ensurdecedor, quase tanto como os olhares de “cabrãozinho, já se orientou!”. O rapaz queria um buraco para se enfiar. Imaginava-se na pele dela, perante aquela recepção, e em como se estaria a sentir.
Ela adianta-se e diz “parece-me que a tal bebida no bar não é muito boa ideia”. Devolve-lhe o casaco e agradece.
Dirigem-se à recepção e pedem cada um a chave do seu quarto. Ela recebe a dela, despede-se com um “have a nice night” e desaparece no elevador.
Ele fica por ali, a pensar se há-de mandar os tugas todos à merda. Não, ri-se, dá duas ou três tretas, e sobe.  A noite para ele tinha acabado ali.
Quando mete a chave à porta do quarto, ouve o telefone a tocar. Corre e atende.
Era ela: “Desculpa, ouvi o numero do teu quarto quando pediste a chave. Temos mini bar, podemos tomar a tal bebida no quarto.”
“sim, claro. Vou aí ou vens aqui? -  já sabes o numero”. “Eu vou aí, dá-me 5 minutos” responde ela.
Afinal havia esperança.
Deu uma olhadela rápida, arrumou peças de roupa que estavam espalhadas, lavou a cara, ajeitou o cabelo, tirou a gravata. Pensou em tirar ou não os sapatos de verniz, mas manteve-os. Ligou o som e escolheu à pressa uma musica suave.
Quase de imediato ouviu pancadas na porta.
(continua…)